É uma verdade histórica simples e incontestável com as evidências atuais: A ditadura militar no Brasil foi um período no mínimo sangrento, em que as liberdades constitucionais foram anuladas por meio da falácia da possibilidade de instalação de uma ditadura comunista no Brasil, a cultura emergente foi sufocada, a circulação de música, teatro, filmes, periódicos e livros foi alterada e, por trás de um "fingido" (des)milagre econômico, nossa dívida externa foi lançada às alturas, pensadores, artistas e cantores foram lançados ao limbo e ao desterro e pessoas das mais diversas classes sociais, credos e convicções políticas foram submetidos a torturas de fazer inveja aos pesadelos do nazismo alemão.
Tudo isso são fatos. Não existe muito o que contestar e existem milhares de famílias que desejam saber o que aconteceu com suas pessoas amadas. Mães querem saber de seus filhos, filhos de seus pais, esposas de seus maridos. Deixar todas essas pessoas sem respostas em relação a seus amados em nome da não-atribuição de culpa aos cruéis assassinos que os torturaram e mataram a sangue frio é uma tortura diária.
É hora do nosso país acordar e recuperar a sua história. É urgente que tenhamos uma história escrita de verdade e essencial evitar erros do passado. Existem museus do holocausto e da inquisição no mundo todo. Entender o passado é parte do aprendizado para evitar que ele se reescreva. E apesar disso, ainda existem instituições militares que chamam a investigação da verdade de "revanchismo" ou qualquer coisa assim...
Sinceramente...
Publico abaixo uma canção de Chico Buarque em homenagem a quem conseguiu falar mesmo amordaçado, e o texto da Folha de São Paulo que me inspirou. Chico Buarque se exilou na Itália em 1969 e escreveu essa e outras canções com o pseudônimo de Julinho de Adelaide, após "Cálice"e "Apesar de você" terem sido censuradas. Relata um período em que o medo e a desconfiança eram tão grandes que a população tinha mais medo dos policiais, que torturavam, matavam e escondiam os corpos, do que de bandidos, criando a fina ironia da música.
Acorda Amor
(Chico Buarque)
Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
minha nossa santa criatura
chame, chame, chame, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão da escada
fazendo confusão, que aflição
São os homens, e eu aqui parado de pijama
eu não gosto de passar vexame
chame, chame, chame, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses convém às vezes você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
ponha roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda amor
que o bicho é bravo e não sossega
se você corre o bicho pega
se fica não sei não
Atenção, não demora
dia desses chega sua hora
não discuta à toa, não reclame
chame, clame, clame, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão...)
Acorda amor
Eu tive um pesadelo agora
Sonhei que tinha gente lá fora
Batendo no portão, que aflição
Era a dura, numa muito escura viatura
minha nossa santa criatura
chame, chame, chame, chame o ladrão
Acorda amor
Não é mais pesadelo nada
Tem gente já no vão da escada
fazendo confusão, que aflição
São os homens, e eu aqui parado de pijama
eu não gosto de passar vexame
chame, chame, chame, chame o ladrão
Se eu demorar uns meses convém às vezes você sofrer
Mas depois de um ano eu não vindo
ponha roupa de domingo e pode me esquecer
Acorda amor
que o bicho é bravo e não sossega
se você corre o bicho pega
se fica não sei não
Atenção, não demora
dia desses chega sua hora
não discuta à toa, não reclame
chame, clame, clame, chame o ladrão
(Não esqueça a escova, o sabonete e o violão...)
Da Folha de São Paulo:
Militares reafirmam críticas a Dilma e afrontam Amorim
Em nota divulgada ontem, 98 militares da reserva reafirmaram recentes ataques feitos por clubes militares à presidente Dilma Rousseff e disseram não reconhecer autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de expressar opiniões.
A nota, intitulada "Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão", também ataca a Comissão da Verdade, que apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão espera só a indicação dos membros para começar a funcionar.
"[A comissão é um] ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo", diz o texto, endossado por, entre outros, 13 generais.
Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos.
O novo texto foi divulgado no site "A Verdade Sufocada", mantido pela mulher de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e um dos que assinam o documento.
Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça. Ele nega os crimes.
A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo que ela se afastava de seu papel de estadista ao não "expressar desacordo" sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a ditadura.
Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da internet.
CRÍTICA A AMORIM
"Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia 16", afirma a nota de ontem, que lembra que o texto anterior foi tirado da internet "por ordem do ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo".
Agora, os militares dizem que o "Clube Militar [da qual a maioria faz parte] não se intimida e continuará atento e vigilante".
A primeira das três declarações que geraram a nota foi da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos), para quem a Comissão da Verdade pode levar a punições, apesar da Lei da Anistia.
Depois, Eleonora Menicucci (Mulheres) fez em discurso "críticas exacerbadas aos governos militares", segundo o texto. Já o PT, em uma resolução, disse que deveria priorizar o resgate de seu papel para o fim da ditadura.




